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A eterna arte da insatisfação humana
DISCENTES

A eterna arte da insatisfação humana

Por Evelyn Moreira Mota
Aluna do 8º semestre do curso de Direito da UNICATÓLICA

Não há nada mais motivador para o ser humano que a insatisfação. As necessidades humanas são imensas, infinitas, e inúmeros são os nossos desafios em satisfazê-las. Desde quando nascemos, estamos em constante movimento em busca de algo: a procura de conhecimento, de emprego, da formação, da colocação no mercado de trabalho, de títulos, enfim, pois não ter tais conquistas, seria “ficar fora do padrão”.

Mário Sérgio Cortella define o ser humano como “a capacidade de ter essa lacuna”, e faz um alerta que, em sendo preenchida essa lacuna, “o homem desumaniza-se”, ainda, o mesmo considera que um nível de insatisfação é benéfico para as pessoas, pois impediria o automatismo. Acerca das ponderações de Cortella, onde ele fala sobre “lacuna” e onde falo sobre insatisfação, eis o mesmo entendimento. Em relação a essa lacuna, temos que nunca é preenchida, e que deverá ser vista como algo positivo para impulsionar o ser humano na sua constante busca por melhorias.

Uma preocupação constante é que essa insatisfação deverá ser dentro de um padrão, de modo que, essa lacuna, a ser preenchida, traga engrandecimento pessoal e profissional.

Na música ouro de tolo de Raul Seixas, ele nos traz a seguinte frase: “Eu devia estar sorrindo e orgulhoso por ter finalmente vencido na vida, mas eu acho isso uma grande piada e um tanto quanto perigosa”. A parte em que o autor fala sobre ter finalmente vencido na vida é bastante relativo e, claro, muda o conceito de pessoa para pessoa, de modo que, vencer na vida para alguns é a busca pelo dinheiro, para outros poderá ser a formatura, para outros a conquista de um doutorado, e para uma parcela significativa de pessoas é: simplesmente não conquistar nada e viver suas vidas na mesmice, achando que “já cumpriram seus papeis”.

Ainda em conformidade com Raul Seixas, onde ele fala sobre “foi tão fácil conseguir e agora me pergunto e daí? Eu tenho uma porção de coisas grande para conquistar e eu não posso ficar ai parado”, devendo, pois, atentar para não nos frustrarmos em relação à busca, a insatisfação, pois há uma linha tênue entre o que se pretende alcançar e a infelicidade.

Há de ser pontuado que, a satisfação não deverá ser buscada apenas em fatores e ou circunstâncias externas, devendo atentar o indivíduo para seu estado de espírito para sua fé. Já dizia Arthur Schopenhauer: “Mas se todos os desejos, apenas formados, fossem imediatamente realizados, como que se preencheria a vida humana, em que se empregaria o tempo?”.

Sejamos, pois, cheios de insatisfação, de lutas, de anseios, de coragem e esperanças. A vida é uma eterna luta contra aborrecimentos, dores, ilusões e adversidades. Partindo dessa premissa, onde não há nada de fixo, nada de eterno, que consigamos ser pessoas de luz neste mundo sombrio e insatisfeitos sempre, na ânsia de grandeza espiritual e intelectual.

Por: Eliane Rodrigues

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