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Homenagem ao Dia do Estudante
DISCENTES

Homenagem ao Dia do Estudante

Em homenagem ao Dia do Estudante, 11 de agosto, conheça a história de Eduardo Silva, aluno do curso de Farmácia da UNICATÓLICA, disfêmico, que enfrentou muitas dificuldades na vida para conquistar seus objetivos.

 

Prazer! Tenho disfemia e sou estudante de Ensino Superior.

Olá! Sou Eduardo Silva, estudante de Farmácia, e tenho disfemia, um distúrbio da linguagem que afeta o ritmo da fala. Venho relatar um pouco de meu passado, o qual não tenho boas lembranças.

 Sou de Acaraú/CE e, desde julho de 2017, resido em Quixadá. Minha infância foi marcada por um momento muito trágico, com a perda de minha irmã, um fato que me afetou muito e só piorou minha dificuldade. Recebi a notícia de seu falecimento quando me encontrava em casa, sozinho, e isso me tomou completamente. A partir dali, começava uma vida totalmente diferente. Tive que mudar de casa, devido às lembranças que eram constantes, e de escola.

Aos 13 anos, quando iniciei em uma escola nova, minha professora de matemática percebeu minha dificuldade e, logo, orientou minha mãe para que eu tivesse acompanhamento com profissional fonoaudiólogo. Realizei fonoterapia por um período de 9 anos. Durante esse tempo, tive muitas dificuldades na escola, sobre falar em público, apresentar seminários e tirar dúvidas na hora da aula. Tudo isso me restringia. Em meu pensar, iriam rir de mim, eu iria atrapalhar a turma pois iria demorar a falar. Então, procurava ficar calado o tempo todo. Em dias de seminários, procurava faltar aula para não apresentar, pois o medo me consumia, mas, durante a vida escolar, meus professores sempre foram flexíveis e entendiam minha dificuldade.

Tudo começou quando decidi ingressar na faculdade, em busca do meu sonho, ser farmacêutico. No ano de 2014, ingressei em uma instituição privada na cidade de Sobral, onde saia de minha cidade e só retornava a meia-noite. Com acompanhamento de fonoaudiólogo e psicólogo, os quais me forneceram atestados, informando minha situação, logo, no primeiro semestre, comecei a ver o quanto iria sofrer dali para frente. Mesmo relatando minhas dificuldades, ouvi de alguns professores a frase “Te vira, faz o que você quiser”. Então, acabei me coagindo, me senti um lixo, perdi as contas das vezes cheguei nessa Instituição e me tranquei em um banheiro para chorar, pois não sabia mais o que fazer, foi muito difícil. Não compartilhei isso com ninguém, nem ao menos com minha própria família, pois pensava que, mais uma vez, iria incomodar.

Cheguei a ponto de pensar que nunca seria alguém na vida, pensei que jamais meus pais estariam em minha Colação de Grau. Defino esse tempo que estive lá como momentos de tortura, onde pensei que jamais iria acabar. Pessoas que estariam ali para me motivar, me proporcionar soluções, acabaram fazendo o contrário.

Lembro que enviava aos professores e-mails, solicitando uma forma mais viável para que me avaliassem. Os mesmos não respondiam os e-mails. Foi difícil saber, por terceiros, que uma professora afirmou que eu seria um caso perdido. Não tive apoio da Coordenação. Calaram-me de uma forma que pensava que seria para sempre aquele pesadelo. Sofri mais por não dividir tudo isso com ninguém, novamente, pensava que iria incomodar.

Após cinco semestres de muita tortura moral e psicológica, decidi mudar tudo isso, sempre com fé em Deus. Estava cansado de chorar, lágrimas motivadas por pessoas que não mereciam, ao menos, serem chamadas de humanas.

Em 27 de julho de 2017, Quixadá me acolheu de uma forma que jamais esquecerei. Deixava para trás minha família, meu trabalho e meus amigos, acreditando que o melhor estaria por vir. Foi quando tive meu primeiro contato com a UNICATÓLICA, uma Instituição que, grandemente, abriu as portas para um acadêmico que acabara de chegar.

Dizer que fui acolhido é pouco, diante de tamanho carinho e respeito comigo. Aqui, pude perceber o quanto sou útil, mesmo com minhas dificuldades, e percebi que ser diferente não impede ninguém de ser feliz. Isso não me diminui em nada, pois somos todos humanos, temos nossos direitos e devemos respeitar cada um. Todos possuem dificuldades, mas a vontade e perseverança de vencer na vida, lutando sempre pelos seus sonhos, são poucos.

Ainda, supero minha dificuldade aos poucos, subindo, sempre, na escada do sucesso. Hoje, apresento seminário e já falei em público para um número significativo de pessoas. Passei a ver o mundo de outra forma e sou grato em ter pessoas que me motivam, me falam um SIM e apostam na minha capacidade. A alegria sentida, hoje, preenche o lugar que antes era ocupado de temor, ódio e rancor. Hoje, estou no 7° semestre do curso de Farmácia da UNICATÓLICA. A expectativa só aumenta e, ao passarem os semestres, diante de meus resultados, hoje, só tenho que agradecer a Deus por não ter me abandonado, mudando de forma magnifica minha vida.

Texto de Eduardo Silva, aluno do curso de Farmácia da UNICATÓLICA.

 

 

Por: Eliane Rodrigues

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