• Blog do Curso de Teologia

Unicatólica > Blog do Curso de Teologia > DIA DO TEÓLOGO > Coordenador discursa em homenagem ao Dia do Teólogo
Coordenador discursa em homenagem ao Dia do Teólogo
DIA DO TEÓLOGO

Coordenador discursa em homenagem ao Dia do Teólogo

O Dia do Teólogo é comemorado no dia 30 de novembro. Em homenagem ao dia, o Coordenador do curso de Teologia da UNICATÓLICA, Prof. Dr. Rudy Albino de Assunção, elaborou um discurso e o proferiu, durante as celebrações.

Discurso do Prof. Dr. Rudy Assunção, proferido no Dia do Teólogo – 30 de novembro

Gostaria de aproveitar esta solene ocasião para chamar a atenção de alguns aspectos que, no dia a dia, podemos ignorar.

Talvez, não nos demos conta, por causa da força esmagadora da rotina, de que a nossa ciência não tem, em termos absolutos, um sujeito e um objeto, mas dois sujeitos, ou melhor, um sujeito com minúscula e outro – o Totalmente Outro – com maiúscula. Comecemos por este “último”, ou melhor, por Aquele que sempre vem por primeiro: Deus.

Deus nunca é (mero) objeto. Deus está ao alcance de nossas mãos, mas nunca é manipulável. Deus não é submetido à prova: Ele nos prova. Deus não se confina num laboratório e nem mesmo nos espaços sempre muito largos da nossa racionalidade. Ele é Infinito, mas só se deixa “prender” no tabernáculo, onde não se coloca como objeto de análise, mas como “único objeto do nosso amor”, para parafrasear a conhecida Consagração ao Sagrado Coração de Jesus.

Assim, a teologia, não é só a fé que busca compreender, mas o amor que busca conhecer. É o que diz a Instrução Donum Veritatis (n. 7), apoiando-se em São Boaventura: “A teologia, que obedece ao impulso da verdade que tende a comunicar-se, nasce, também, do amor e do seu dinamismo: no ato de fé, o homem conhece a bondade de Deus e começa a amá-lo, mas o amor deseja conhecer sempre melhor aquele a quem ama”.

Por outro lado, está o teólogo, que nunca é um sujeito isolado; não deve ser jamais um mero pensador individual, por mais criativo e erudito que venha a ser. É membro de um organismo vivo, de um sujeito maior que é feito de unidade na pluralidade, que é um nós que precede todo eu: a Igreja.

Assim, quando um aluno entra no curso de Teologia entra, igualmente, em uma relação. Entra com seu eu no nós da Igreja para conhecer e amar o Tudivino. Entra numa grande relação de amizade com Aquele que a liturgia de São João Crisóstomo chama de “amigo dos homens”.

A teologia é, portanto, amor com método; é fé com rigor de análise; é busca d’Aquele que se deixa sempre encontrar; é o encontro d’Aquele que, antes de tudo, nos criou para nos atrair, que nos atrai para o seu amor e a sua companhia, para que soubéssemos que lendo, pesquisando, escrevendo, estamos adorando. Teilhard de Chardin dizia em “O fenômeno humano” algo que sempre me tocou: “há menos diferença do que se pensa entre Pesquisa e Adoração”. Portanto, todas as vezes que sairmos dos nossos ambientes de estudo para irmos à capela recordemos que houve apenas um deslocamento, não uma mudança estritamente essencial: com este olhar o altar se torna a mesa em que encontramos o verdadeiro conhecimento, dado aos sábios e aos simples, pois ali a verdade, sob um véu, fez-se carne e, se fez, também, livro, é igualmente alimento. Que as três mesas da nossa vida – o altar, o ambão e a escrivaninha – sejam os espaços sagrados intercomunicáveis de nossa ciência e que, enfim, o estudo aqui realizado não seja um fardo, um peso. Que todo o cansaço, todo sacrifício feito, durante o curso de Teologia, seja sempre entendido como aquilo que é: uma longa e intensa genuflexão.

Por: Eliane Rodrigues

Deixe seu comentário